O El Niño ganhou força e agora tem 81% de chance de atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro deste ano, segundo uma nova estimativa divulgada na última quinta-feira (9) pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), uma das principais agências de monitoramento climático do mundo.
Se a previsão se confirmar, este poderá ser o El Niño mais intenso desde 1950, quando começaram os registros históricos do fenômeno.
O boletim representa uma mudança importante nas projeções. Até então, os modelos indicavam que o El Niño poderia se intensificar ao longo de 2026, mas ainda não era possível estimar com precisão a força que ele poderia alcançar.
Além disso, a NOAA calcula que há 97% de chance de o fenômeno permanecer ativo até o período entre março e junho de 2027.
Carlos Nobre alerta para necessidade de preparação
Em entrevista à Revista Urbanova, o cientista e climatologista Carlos Nobre afirmou que o El Niño é um fenômeno natural, mas ressaltou que episódios muito intensos exigem planejamento para reduzir seus impactos.
“O que pode acontecer agora é um El Niño muito forte. Nós realmente temos que estar muito preparados para os impactos”, afirmou.
Segundo o pesquisador, um dos episódios mais severos ocorreu em 1877, muito antes do aquecimento global. Na época, uma grande seca atingiu regiões da Ásia e o Nordeste brasileiro. Estudos apontam que a escassez de alimentos provocou cerca de 2 milhões de mortes na Índia e aproximadamente 500 mil no Nordeste do Brasil.
O que pode acontecer?
De acordo com a NOAA, um El Niño mais intenso não significa, obrigatoriamente, que eventos climáticos extremos irão acontecer, mas aumenta a probabilidade de ondas de calor, tempestades e outras alterações no clima em diferentes regiões do planeta.
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança altera a circulação dos ventos e influencia o regime de chuvas em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.
