Início Opinião Furar bolhas: educar para ver, sentir e responsabilizar-se 

Furar bolhas: educar para ver, sentir e responsabilizar-se 

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Por Cláudia Del Corto

Recentemente, a história do cachorro Orelha mobilizou muitas pessoas. Entre comoção, compartilhamentos e indignação, surgiu uma pergunta: o que isso tem a ver com a educação de nossas crianças?

Talvez mais do que imaginamos. Aquilo que nos comove revela não apenas nossa capacidade de sentir, mas também os limites do nosso olhar, aquilo que escolhemos ver e, muitas vezes, aquilo que seguimos sem enxergar.

Nunca tivemos tanto acesso à informação, tantas narrativas circulando e tantas possibilidades de conexão e, ao mesmo tempo, nunca pareceu tão fácil viver dentro de bolhas. Bolhas sociais, digitais e afetivas. Espaços em que vemos apenas aquilo que confirma nossas certezas e em que o sofrimento do outro surge distante, quase abstrato.

Uma das tarefas mais urgentes da educação contemporânea é ajudar nossas crianças e adolescentes a furar bolhas para, assim, ampliar o mundo que habitam.

Trata-se de formar pessoas capazes de perceber o mundo para além do próprio umbigo, capazes de enxergar o outro como alguém real, com história, direitos e dignidade.

Vivemos também um momento em que a solidariedade, muitas vezes, se resume a gestos pontuais: doar uma cesta básica, entregar roupas e brinquedos, participar de campanhas rápidas. Esses gestos não bastam.

A verdadeira solidariedade convoca à compreensão, à implicação e à transformação da forma como nos relacionamos com o outro e com o mundo.

Como, então, furar as bolhas? Não há receita pronta, mas há caminhos possíveis:

  • Visitar espaços diversos, saindo dos circuitos habituais, conversando sobre as diferenças observadas e também sobre aquilo que nos aproxima.
  • Manter proximidade com as notícias, abrindo espaço para conversar sobre impressões e sentimentos.
  • Incentivar perguntas, inclusive aquelas que nos desconcertam: o que faríamos se estivéssemos nessa situação?
  • Nomear privilégios sem culpa, mas com responsabilidade: o que podemos fazer?
    • Participar de ações coletivas que não se reduzam apenas à doação, mas também à convivência e à troca.

Furar bolhas é, no fundo, ensinar que viver não é apenas ocupar um lugar confortável, mas participar da construção de uma sociedade mais justa, mais humana e mais consciente de si mesma. Talvez educar hoje seja justamente isso: ampliar o olhar para que nossos filhos não apenas vejam o mundo, mas se deixem afetar por ele e escolham, pouco a pouco, não permanecer indiferentes.

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