Calor intenso, períodos mais secos e episódios de chuva volumosa devem marcar os próximos meses em São Paulo e no Vale do Paraíba sob influência do El Niño. O fenômeno, declarado oficialmente em junho, pode atingir uma das maiores intensidades desde o início dos registros, em 1950.
O meteorologista Dr. Marcos Sanches explica que o El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes que o normal. Esse aquecimento interfere na circulação da atmosfera e altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.
Para traduzir o processo, ele compara o oceano a uma chaleira.
“O que acontece com a sua chaleira quando você esquenta a água aí no seu fogão? Começa a evaporar”, exemplifica.
Com a água mais quente, aumenta a evaporação e essa mudança passa a interferir na circulação atmosférica. Segundo Marcos, é justamente agora que os efeitos começam a ganhar força no estado de São Paulo.
A primeira onda de calor da primavera começa neste sábado (26) e deve atingir diferentes estados brasileiros, com temperaturas que podem variar entre 30°C e 40°C em algumas áreas. O episódio ocorre em um período em que a influência do El Niño começa a ficar mais evidente.
Impactos do calor também preocupam
Um relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, divulgado nesta quarta-feira (23), projeta que o calor associado a este episódio possa provocar 13,3 mil mortes no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.
Segundo o estudo, o país seria o mais afetado da América Latina. No mundo, a estimativa chega a 451 mil mortes até fevereiro de 2027.
Para Marcos Sanches, os sinais observados até agora reforçam a necessidade de acompanhar os próximos meses com atenção.
“Todos os sinais estão colocando que esse é um El Niño forte. Todos os indícios estão para isso. Então, muita atenção.”
