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Mãe de Miguel Meneses espera que doação de órgãos do filho inspire outras famílias; enfermeira explica o processo

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Miguel Menezes | Momento da doação de Órgãos

A doação de órgãos pode transformar a dor da perda em esperança para quem espera por um transplante. Referência regional na captação, o Hospital Municipal de São José registrou, de janeiro a outubro de 2026, 11 casos aptos para doação, e em nove deles as famílias autorizaram o procedimento. No período, foram captados 37 órgãos e tecidos.

O tema ganhou destaque nesta quarta-feira (28), com a despedida do goleiro Miguel Meneses, de 14 anos. Cerca de 100 pessoas formaram um corredor de aplausos no hospital antes da captação. Décimo doador da unidade neste ano, Miguel beneficiou seis pacientes com a doação do coração, do fígado, dos rins e das córneas. “Eu quero que o Miguel seja uma inspiração para todos, para a doação, para ajudar o próximo”, disse a mãe, Therezinha Meneses.

Quem pode autorizar a doação?

Segundo a enfermeira Karina Higa, da Comissão de Doação de Órgãos do hospital, a doação de uma pessoa que morreu só acontece com o aval da família, como pais, filhos e cônjuge. Mesmo que a pessoa tenha manifestado o desejo em vida, a decisão final é dos parentes. “A ferramenta mais potente para autorizar é a comunicação da pessoa com seu familiar mais próximo”, afirma.

Como funciona o processo

Depois da autorização, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Campinas pede exames e analisa o histórico do paciente para definir o que pode ser doado. A doação pode ocorrer após a morte encefálica ou em vida, só entre maiores de idade. Os impedimentos são poucos, como infecções generalizadas ativas, alguns cânceres com metástase em atividade e certas doenças infectocontagiosas. Em média, um doador pode beneficiar até oito pessoas.

A família também pode escolher quais órgãos e tecidos quer doar. Segundo a equipe, a retirada de tecidos, como córneas, pele e ossos, preserva a aparência do corpo para o velório.

Para Karina, conversar com a família sobre o desejo de ser doador facilita a decisão no momento do luto e pode dar a outras pessoas a chance de um transplante.

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