Você já percebeu como elogiamos uma criança quando ela responde rápido, mas raramente quando ela muda de ideia?
Situações como essa acontecem todos os dias, nas circunstâncias mais corriqueiras, tanto nas atividades práticas do cotidiano quanto na maneira como pensamos e sentimos.
Lembro-me de uma situação em que um garoto de aproximadamente oito anos, antes de sair de casa, escolheu uma camiseta azul para vestir. Poucos minutos antes de ir embora, correu até o quarto e trocou de camiseta. O adulto que o acompanhava ficou incomodado, estava com pressa e disse: “Você precisa parar de mudar de ideia. Decidiu, já era.”
É compreensível que aquele adulto estivesse preocupado com o horário. Mas talvez o menino tivesse apenas percebido que outra cor combinava mais com ele naquele momento ou que a outra roupa fosse mais confortável. Poderiam existir muitas razões para a mudança, mas, como não houve tempo para conhecê-las, nunca saberemos o que motivou sua nova escolha. O fato é que ele mudou de ideia e foi advertido por isso.
Quantas vezes nós mesmos nos encontramos em situações nas quais sentimos vontade de mudar, mas não mudamos? Talvez por insegurança. Talvez porque acreditamos que, depois de dizer ou decidir algo, voltar atrás seja sinal de fraqueza ou incoerência. São crenças que nos acompanham e que, muitas vezes, acabam limitando nossa capacidade de pensar e de escolher.
Na escola e em casa, ensinamos nossos filhos a encontrar respostas. Celebramos quem acerta e, muitas vezes, interpretamos a mudança de resposta como sinal de insegurança ou de falta de conhecimento.
Aprender tem menos a ver com encontrar respostas definitivas e mais com desenvolver a capacidade de rever aquilo que pensamos. Mudar de opinião é reorganizar o pensamento.
Claro que construir convicções e cultivar valores que orientem nossas escolhas é importante. Mas igualmente importante é termos espaço para refletir sobre os motivos que nos levaram a escolher determinada ideia e, quando necessário, substituí-la por outra.
Talvez o problema não esteja em mudar de ideia, mas em acreditar que não podemos fazê-lo.
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