A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a criar um grupo de trabalho para aprofundar a análise da segurança do imunizante. A medida foi anunciada nesta terça-feira (16), poucos dias após o Ministério da Saúde interromper a aplicação da vacina devido ao registro de reações adversas e de duas mortes que seguem sob investigação.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 500 mil pessoas receberam a vacina até o momento. Entre elas, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos. Desse total, 42 apresentaram sinais de alerta compatíveis com quadros graves de dengue, como dores abdominais intensas, vômitos persistentes e sangramentos.
Três ocorrências foram classificadas como graves, incluindo as duas mortes investigadas. Até o momento, porém, não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina.
Para auxiliar nessa apuração, a Anvisa criou um grupo de trabalho que dará suporte a um painel formado por especialistas externos. A equipe será responsável por analisar dados clínicos, epidemiológicos e informações de monitoramento do imunizante.
O objetivo é reunir evidências que ajudem a orientar as próximas decisões sobre a vacina e esclarecer se existe alguma relação entre os eventos registrados e a aplicação das doses.
A suspensão envolve apenas a vacina do Butantan, que vinha sendo utilizada principalmente em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto. A medida não afeta a Qdenga, vacina contra a dengue aplicada pelo SUS em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
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